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letras

festa do destino
nathália lima / letícia fialho

quero ver quem vai chegar
será você que vem de lá
que vem brincar de amar
preparei o meu quintal
pode chover que eu vou dançar
até o sol raiar
pode chover que eu vou raiar
até você chegar
quando você chegar cantando
querendo jogar
meu corpo em festa vai querer demais
é brincadeira nosso vai e vem
você vem e vai e eu vou também
é brincadeira nosso vem e vai
você vai e vem e eu vou atrás


batuca tamborim
sérgio duboc / vicente sá

nem bem armei outra vez
limpar meu peito destas fotos tuas
um cheiro traz na manhã
as velhas sombras de outros carnavais
batuca tamborim dentro do peito
um samba me enreda e a solidão
caminha feito minha companheira
nas ruas, becos do meu coração
do meu coração
do meu coração
no peito quase um pedido
um dia alguém creio que diz e faz a vida
comer um rango alegre
um prato fundo disso tudo que é viver

eu sei que tenho alguém dentro do peito
cantando o tic tac da emoção
e sabe se eu pudesse e desse jeito
a vida era só essa canção
do meu coração
só essa canção



que não seja eu
nathália lima

o quê que eu posso fazer
se os meus próprios olhos
insistem em me ver sozinho
se ainda tem perfume a flor
mesmo que haja espinhos
se tudo o que eu vivi
me fez amar a solidão
o quê que eu posso fazer
se a minha pele se tornou autossuficiente
e se eu acordo só, eu permaneço contente
se eu não preciso e não sinto falta de ninguém
de ninguém por perto
de ninguém mesmo que longe
de ninguém que não seja eu



tempo que passa
nathália lima

tempo que passa e que leva consigo
um pouquinho de tudo e transforma
em nada
tempo que faz a chegada se transformar
em partida
tempo que fecha as feridas
tempo de espera ao fazer a comida
e que dá o tempero
dessas coisas da vida
tempo que dá despedida
mas que também nos recebe
tempo que paga o que deve...
tempo que muda o curso do rio
vento que leva pro mar
tempo que custa a passar
tempo que para e ninguém vê
é o tempo de ser, é o medo de não ter
é a sede de querer mais tempo
é o tempo que vai, é o tempo que sobra
é o tempo que dá e que cobra
é o tempo de ver que há tempo de ser
é o tempo que faz crescer o medo
do tempo que dá, do tempo que resta
é o tempo que a gente faz que
interessa



poema velho
fred martins / manoel gomes

porque o carnaval é velho
também é velha a folia
de quem nasce vive e morre
caminhando em romaria
e despindo velhos medos
vestem velhas fantasias
porque o carnaval é velho
mais velha é a luz do dia
porque as nuvens são velhas
como é velha a tempestade
que emana do copo d’água
e encharca belas cidades
e apagando velhas brasas
velhos lagos nos invadem
porque as nuvens são velhas
mais velha é a cumplicidade
porque o amor é tão velho
é velho que nem a ira
de quem calado consente
a voz que jamais saíra
e por crer em velhas falas
amam ouvir velhas mentiras
porque o amor é tão velho
mais velho é o som da lira
porque o vinho bom é velho
mais velho do que esse vício
de beber no fim da festa
procurando pelo início
e buscando velhos voos
surgem velhos precipícios
porque o vinho bom é velho
tão velho quanto difícil



barracão
nathália lima

vai barracão
vai coberto de tristeza
depois que ela foi embora
vivo pela correnteza
ela levou meu destino
levou junto “os menino”
junto levou seu retrato
barracão, vê meu estado
diga a ela que ela mande
pelo menos, um recado
vai barracão
vai coberto de tristeza
depois que ela foi embora
vivo pela correnteza
diga a ela que ela volte
que sem ela eu não consigo
que sem ela eu não vivo
barracão, faço um pedido
diga a ela que ela mande
pelo menos, um aviso
barracão
diga a ela que ela volte
barracão
que eu não sou nada sem ela
barracão
diga a ela que ela volte
que eu tô com saudade dela
barracão
diga a ela que ela volte
barracão
que sem ela eu não consigo
barracão
diga a ela que ela volte
que sem ela eu não vivo



residência
naeno rocha / climério ferreira

hoje a solidão mora em mim
na tua ausência
a tristeza fez de mim uma residência
para a saudade habitar
hoje a solidão mora em mim
na tua ausência
a tristeza fez de mim uma residência
para a saudade habitar
hoje não há mais beijo molhado
nem abraço apertado
só o silêncio do adeus
o tempo vai tecendo lentamente
com alinhavos de cordas
o teu olhar de breu



tudo que não quis
nathália lima

ela pega, ela solta
quando vê já não crê
vai ficar tão sozinha
vai ficar à mercê
de tudo que não quis ser
tudo que não quer ser
tudo que não é
ela pega de volta
rodopia e se vê
vai ficar tão ligada
vai passar na tv
no mesmo canal de sempre
na mesma sintonia
no mesmo sinal



o tempo da vida
túlio borges / climério ferreira

a vida passa por mim
como um cavalo bravio
como uma besta no cio
como um desejo de freira
a vida passa ligeira
a vida passa por mim
é um trem desembestado
é um avião sem piloto
que voa rápido e roto
despencando leve e torto
a vida passa por mim
na paisagem passageira
é como eu fosse um estranho
sem medida, sem tamanho
vivendo perdas e ganhos
a vida passa por mim
eu pego carona nela
passageiro clandestino
sem ter juízo nem tino
vai sem saber seu destino
na direção do desastre
batendo as asas dos anos
vai triturando os planos



só pra ver a menina
nathália lima

eu fiquei de bobeira
observando a menina
o dia inteiro
parado na esquina
eu fiquei o dia inteiro
parado nessa menina
observando
de bobeira na esquina
quando a menina passa
eu fico sem graça
eu morro de medo
eu tenho desejo
mas acho que é cedo
com os “ói” dessa menina
eu fico de graça
eu fico faceiro
quando ela passa
com flor no cabelo
todo dia eu vou pra lá
todo dia eu vou pra lá
todo dia eu vou pra lá
eu fico lá
só pra ver ela passar


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